ASA BRANCA DO CEARÁ, O POETA DO IMPROVISO RADICADO EM MONTEIRO (PB), COMPLETARIA NESTA DATA, 85 ANOS.

A Vida de Asa Branca: Nascimento e Infância

Asa Branca do Ceará, conhecido desde cedo por seu talento, faria 85 anos em 2026. Ele nasceu José Geovaldo Gondim em 29 de julho de 1941, na cidade de Mauriti, Ceará. Embora alegue ter nascido em Aurora, o registro oficial foi feito em Mauriti. Era filho de Maria de Lourdes Gondim, uma professora de Língua Portuguesa, fervorosa religiosa e poetisa, e Joaquim Neco de Sousa, um repentista, de quem herdou o famoso codinome Asa Branca e a habilidade para o improviso.

As Primeiras Canções e o Início da Carreira

Asa Branca cresceu no Crato, mas foi em Monteiro, na Paraíba, que começou a construir sua carreira de artista popular. Seus primeiros versos datam de 1950, quando ele tinha apenas 9 anos e já se aventurava a vender cordéis em feiras locais. As primeiras apresentações musicais ocorreram em 1956, quando ele tinha 15 anos, marcando o início de sua jornada no mundo da cantoria.

O Legado da Poesia Popular Nordestina

Durante sua longa trajetória, Asa Branca se destacou como um dos principais repentistas nordestinos, admirado pela beleza e profundidade de suas rimas. Ele teve a honra de cantar ao lado de grandes nomes da música e da poesia popular, como Ivanildo Vila Nova, Zé Cardoso e o famoso Pinto do Monteiro, a quem ele via como um segundo pai na arte da poesia.

Asa Branca do Ceará

A Influência de Pinto do Monteiro

Pinto do Monteiro teve um papel fundamental na formação artística de Asa Branca, influenciando seu estilo único e sua abordagem lírica. Essa relação não era apenas de mentor e aluno, mas também de uma sincera amizade que ajudou a moldar a identidade de Asa Branca dentro da rica tradição do repente.

Experiências em São Paulo e o Retorno ao Nordeste

Asa Branca passou um período vivendo em São Paulo, entre 1970 e 1984, mas a vida na metrópole nunca lhe trouxe a satisfação esperada. Ele sentia falta do interior e da simplicidade de Monteiro, o que o levou a retornar à sua terra natal, onde continuou suas atividades artísticas e se reconectou com suas raízes.



A Diversidade de Sua Obra de Cordel

Ao longo de sua vida, Asa Branca se dedicou à produção de mais de 100 cordéis, abordando temas diversos e relevantes. Alguns de seus trabalhos mais conhecidos incluem:

  • A morte de Tancredo Neves
  • A morte do Padre Cícero
  • A vida e morte de Lampião
  • A serpente de Brumado
  • A filha que matou a mãe
  • A morte de Gervásio Santos
  • A Estória de dois bois gigantes na cidade de Monteiro
  • Homenagem a Cici de Filó
  • O Candidato sem sorte
  • No fim da minha existência
  • O Bar da Catrevagem

Infelizmente, muitos de seus trabalhos se perderam ao longo do tempo, uma vez que Asa Branca viveu do improviso e não manteve um arquivo sistemático de suas obras.

Participações em Eventos e Palestras

Ao longo de sua carreira, Asa Branca participou de diversos eventos culturais, palestras e festivais, especialmente entre as décadas de 1970 e 1990. Ele se apresentou em universidades e centros culturais, contribuindo para a divulgação da cultura popular nordestina.

A Última Apresentação: Despedidas e Legado

A última apresentação de Asa Branca ocorreu em dezembro de 2022, na cidade de Sertânia, onde ele dividiu o palco com seu filho Samuel de Monteiro e o parceiro Xexéu da Paraíba. Esse evento foi organizado por um de seus filhos, Esequias Cardoso, marcando um momento especial na continuidade do legado da família na cultura popular.

O Impacto de Seu Trabalho na Cultura Popular

Asa Branca deixou uma marca indelével na cultura popular nordestina, sendo lembrado por suas rimas refinadas e pela habilidade em improvisar. Ele mantinha um programa chamado Varandão da Fazenda, que durou mais de 30 anos, dedicando-se a compartilhar a cultura popular através das ondas do rádio.

Uma Homenagem do Filho Samuel de Monteiro

Em homenagem a Asa Branca, seu filho, Samuel de Monteiro, registrou suas memórias e sua importância na cena cultural. O apreço por seu legado é evidente no trabalho de Samuel, que busca preservar a arte do pai e transmitir seus ensinamentos para as futuras gerações.



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