Prefeitura de Jequié promove I Jequizumba, reforçando valorização identitária dos povos de religiões de matriz africana

O que é o I Jequizumba?

O I Jequizumba é um evento significativo promovido pela Prefeitura de Jequié, em conjunto com a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), que visa celebrar e reforçar a valorização da identidade cultural dos povos de religiões de matriz africana. Iniciado em 2025, o evento faz parte da programação do Mês da Consciência Negra, que promove a reflexão e o reconhecimento das culturas afro-brasileiras e de suas contribuições para a sociedade brasileira. O Jequizumba busca não só celebrar essas tradições, mas também proporcionar um espaço de diálogo e troca de conhecimentos entre diferentes grupos sociais, respeitando e reconhecendo a importância das ancestralidades.

Através de uma série de ações, o evento cria oportunidades para discutir a importância das religiões de matriz africana, as lutas e as conquistas dos povos negros, além de sua contribuição para o desenvolvimento cultural e social da região. O objetivo central é a promoção da unidade e da convivência pacífica entre diferentes religiões e etnias, onde a diversidade cultural é celebrada.

Objetivos do Evento

Os objetivos do I Jequizumba são multifacetados e visam promover não apenas a cultura afro-brasileira, mas também a igualdade, respeito e a valorização da diversidade. Entre os principais objetivos, destacam-se:

I Jequizumba

  • Promover a Consciência Cultural: Através de encontros e atividades culturais, o evento visa aumentar a conscientização sobre a riqueza da cultura afro-brasileira e sua história.
  • Combate à Intolerância Religiosa: O evento é um espaço de reflexão e diálogo sobre a intolerância religiosa, especialmente em relação às religiões de matriz africana, promovendo o entendimento entre diferentes crenças.
  • Valorização das Ancestralidades: Reconhecer e valorizar o papel das ancestralidades na cultura local é fundamental, e o Jequizumba busca ser um instrumento para isso.
  • Estimular a Participação Comunitária: O evento visa aumentar a participação ativa da comunidade, envolvimento de lideranças religiosas, educadores e estudantes.
  • Educação e Formação: Por meio de rodas de conversa e palestras, espera-se formar cidadãos mais conscientes e respeitosos em relação à diversidade cultural.

Abertura do Evento: Toques para Educar

A abertura do I Jequizumba ocorreu com uma apresentação musical chamada “Toques para Educar”, organizada por Fabiano & Cia. Este momento inicial foi muito esperado e acolheu um público diversificado, reunindo integrantes de diferentes segmentos da sociedade, que se mostraram ansiosos para participar das atividades programadas. A música é uma manifestação cultural poderosa e serviu como um convite para que os participantes se conectassem com as discussões importantes que estavam por vir. Esta abertura não apenas animou o evento, mas também simbolizou a união de diferentes grupos e culturas em apoio à causa da valorização cultural.

Após a apresentação musical, foi realizada a mesa de abertura, que contou com diversas autoridades locais, lideranças de religiões de matriz africana, educadores e acadêmicos, todos reunidos para reafirmar o compromisso de promover os direitos e a dignidade dos povos de terreiro. A mesa de abertura destacou a importância do evento, reforçando a relevância das discussões que seriam conduzidas ao longo do dia. Essa interação trouxe à tona um sentido de pertencimento e valorização das histórias e tradições locais.

Participação da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia

A presença da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) no I Jequizumba foi um aspecto crucial para o sucesso do evento. O Órgão de Educação e Relações Étnicas (ODEERE) da universidade atuou como parceiro estratégico na organização das atividades, trazendo a perspectiva acadêmica para as discussões. A participação de docentes e estudantes enriqueceu as rodas de conversa e outros momentos do evento, promovendo um intercâmbio de conhecimentos entre a teoria e a prática.

Os pesquisadores da UESB atuaram como mediadores nas rodas de conversa, abordando temas como ancestralidade, identidade cultural e patrimônio imaterial. Essa interação acadêmica foi fundamental para a construção de um espaço de aprendizado e reflexão, essência do I Jequizumba. A universidade foi um ponto de destaque no evento, levando a discussão da cultura afro-brasileira e seus desafios para dentro de um contexto educacional, ampliando assim o alcance e a profundidade das conversas.

Rodas de Conversa: Debates sobre Ancestralidade

As rodas de conversa foram um dos destaques do I Jequizumba, proporcionando um espaço aberto para a troca de experiências, saberes e vivências entre os participantes. Durante as rodas temáticas, os líderes religiosos e pesquisadores discutiram aspectos da ancestralidade e as implicações sociais e culturais que essas tradições têm na formação da identidade afro-brasileira.

As discussões foram mediadas por experiências significativas e trouxeram para o debate questões sobre a necessidade de se preservar as tradições culturais diante da modernidade e as pressões sociais. A Ialorixá Lourilda Valasques Gomes, por exemplo, compartilhou suas vivências e destacou a importância de se manter a conexão com os ancestrais. O doutorando Eudes Batista Siqueira e a Ekede Lusineide Silva Oliveira também contribuíram com reflexões importantes, demonstrando como a pesquisa e o saber acadêmico podem convergir com as práticas culturais.

Essas rodas não apenas enriqueceram o conhecimento dos participantes, mas também fortaleceram laços comunitários, reforçando a ideia de que é através do diálogo e do respeito mútuo que se constrói uma sociedade mais justa. As vozes apresentadas nas rodas refletem a diversidade de pensamentos e experiências, ampliando assim a compreensão sobre os desafios enfrentados pelos povos de terreiro.



Homenagens e Reconhecimentos

Um momento marcante do evento foi a homenagem Jequizumba, cujo objetivo foi reconhecer as contribuições de indivíduos e organizações que têm se destacado na preservação das ancestralidades, memórias, tradições e saberes das culturas de matriz africana em Jequié. Durante esta parte do evento, foram reconhecidas personalidades como a doutora Marise de Santana, fundadora do Órgão de Educação e Relações Étnicas da UESB, e outros líderes religiosos que desempenham um papel crucial na educação e na preservação cultural.

As homenagens foram um tributo à dedicação e ao esforço dessas pessoas, destacando a importância de se valorizar quem atua na defesa dos direitos ancestrais e culturais das comunidades tradicionais. Essa ação simboliza o reconhecimento público da importância da contribuição dessas figuras na luta contra a marginalização e a discriminação sofridas por essas tradições. O cuidado em homenagear tais indivíduos mostra um compromisso ético da organização em promover a valorização da história e do conhecimento coletivo dos povos de terreiro.

Impacto Cultural do Jequizumba

O impacto cultural do I Jequizumba vai além do evento em si. As discussões, interações e reflexões promovidas durante suas atividades têm o potencial de inspirar mudanças nos comportamentos e nas atitudes da comunidade em relação às culturas de matriz africana. O evento serve como um catalisador para ações práticas que podem ser desenvolvidas ao longo do ano, visando garantir que a valorização cultural se torne uma rotina, e não algo pontual.

Os relatos de participantes após a conclusão do evento indicam um aumento na consciência cultural e no respeito às diversidades religiosas e étnicas. O I Jequizumba não apenas fortaleceu as tradições existentes, mas também incentivou novas dinâmicas de inclusão social e respeito. Com isso, abrem-se caminhos para que as vozes dos que representam as tradições de matriz africana sejam ouvidas e respeitadas na sociedade.

Além disso, o evento pode promover o fortalecimento do turismo cultural em Jequié, atraindo tanto visitantes quanto apreciadores da cultura afro-brasileira. Essa visibilidade é essencial, pois valoriza não apenas as manifestações culturais, mas também contribui economicamente para a região.

Importância da Intolerância Religiosa

A intolerância religiosa é um tema que permeia a discussão de muitas comunidades, especialmente as que praticam religiões de matriz africana. O I Jequizumba serve como um espaço de resistência a essa intolerância, promovendo a paz e a convivência harmoniosa entre diferentes grupos religiosos. A “VIII Caminhada pela Paz”, parte do evento, exemplifica essa luta, reunindo participantes em um ato simbólico de união e respeito.

O evento alerta para os desafios enfrentados pelas religiões de matriz africana e promove a compreensão de que a diversidade religiosa deve ser respeitada e preservada. Através da educação e da conscientização, o Jequizumba busca educar a sociedade sobre a importância da diversidade cultural e da tolerância religiosa, aspectos essenciais para uma convivência pacífica em um mundo plural.

a prática da tolerância na sociedade é um passo fundamental para a conquista de um ambiente onde todas as religiões possam coexistir sem medo de discriminação. As iniciativas do I Jequizumba são um exemplo de como as comunidades podem se unir em prol de um objetivo maior: o respeito às diferenças.

O Papel da Prefeitura na Cultura Local

A Prefeitura de Jequié desempenha um papel crucial na valorização e promoção da cultura local. Ao apoiar eventos como o I Jequizumba, a administração municipal reforça seu compromisso com a inclusão e a diversidade cultural. Através de suas secretarias, como a de Desenvolvimento Social, a Prefeitura viabiliza recursos e estrutura para que iniciativas culturais possam ocorrer, garantindo assim que a cultura afro-brasileira não seja esquecida ou negligenciada.

Além disso, a Prefeitura atua na regulamentação e no reconhecimento legal das práticas culturais, promovendo a preservação do patrimônio material e imaterial da cidade. O apoio à cultura local é fundamental não só para a construção de uma identidade segura e forte entre os munícipes, mas também para a educação das novas gerações sobre suas raízes e ancestralidades.

Ao proporcionar um ambiente favorável para o desenvolvimento de culturas diversas, a Prefeitura contribui para a construção de um espaço social que se preocupa com o bem-estar de todas as suas comunidades. A promoção de eventos que celebram a diversidade é uma ação que deve ser perpetuada, pois reflete a identidade única de Jequié e sua população.

Próximos Passos para Preservação Cultural

Os próximos passos para a preservação cultural em Jequié devem incluir uma continuidade das discussões iniciadas no I Jequizumba. É essencial que o diálogo sobre cultura, respeito e identidade cultural não se limite ao evento, mas que se estenda por meio de atividades ao longo do ano, fortalecendo a memória e os saberes dos povos de terreiro.

A criação de programas educacionais que incluam a cultura afro-brasileira em suas diretrizes curriculares é um passo importante. Esses programas devem trabalhar na formação de professores e na sensibilização dos alunos sobre a importância da diversidade cultural e do respeito às diferentes crenças. Além disso, a promoção de mais eventos como o Jequizumba, que contemplem também as juventudes, pode criar novas lideranças comprometidas com a valorização das tradições.

Por fim, um conselho que represente as religiões de matriz africana, com o envolvimento da sociedade civil e do poder público, pode ser um meio eficaz para o fortalecimento e a continuidade das discussões sobre a cultura afro-brasileira. Isso também pode facilitar a busca por políticas públicas que atendam às necessidades dessas comunidades e que reconheçam sua contribuição para a sociedade.

O I Jequizumba é um passo fundamental para a construção de um futuro mais justo e plural, onde as culturas são respeitadas e valorizadas, criando assim um ambiente de paz e diálogo entre todos os povos.



Deixe seu comentário