Uma Iniciativa Transformadora da Prefeitura de Jequié
A Prefeitura de Jequié, em parceria com a 12ª Regional da Defensoria Pública do Estado da Bahia e a direção do Conjunto Penal de Jequié, lançou um projeto inovador chamado “Transformar para Libertar”. Este projeto visa promover cursos profissionalizantes para mulheres em situação de privação de liberdade, buscando não apenas a capacitação dessas mulheres, mas também uma transformação social significativa em suas vidas. Desde seu início, o projeto tem como foco a empatia e a promoção da dignidade, proporcionando uma nova oportunidade para aquelas que muitas vezes foram marginalizadas pela sociedade.
O encerramento da primeira etapa do projeto, ocorrido em 27 de novembro de 2025, foi um momento de grande importância e celebração, do qual participaram diversas autoridades, incluindo a coordenadora de Cursos e Oficinas da Central de Cursos, Geisa Calhau, e outros representantes da Defensoria Pública e da Justiça. Esse envolvimento de múltiplos setores evidencia a relevância do tema e a necessidade de ações integradas que busquem a inclusão e o empoderamento feminino, especialmente entre as mulheres em situação de vulnerabilidade.
Durante essa primeira fase do projeto, 90 mulheres foram atendidas, recebendo capacitações que visam não apenas fornecer habilidades práticas, mas também resgatar sua autoestima e reintegrá-las à sociedade de maneira digna e produtiva. O projeto vai além de ações pontuais; ele representa uma mudança de paradigma em relação ao que o sistema penitenciário costuma oferecer.

O Papel da 12ª Regional da Defensoria Pública
A Defensoria Pública desempenha um papel crucial na execução deste projeto, atuando como um elo entre a garantia de direitos e as necessidades dessas mulheres. A 12ª Regional da Defensoria Pública da Bahia se destaca por suas ações proativas que buscam ir além da defesa jurídica convencional, refletindo o compromisso com a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. As defensoras e defensores públicos tiveram um papel ativo na seleção das participantes, sempre visando acolher aquelas com maior necessidade de apoio.
Além disso, a Defensoria Pública não se limita a oferecer suporte jurídico. Ela também tem um compromisso com a promoção da cidadania, garantindo que essas mulheres tenham acesso a direitos básicos e a oportunidades de reconstrução de suas vidas. Isso demonstra um entendimento abrangente das questões de gênero, privilégio e a necessidade urgente de políticas que promovam a equidade e a inclusão social.
O trabalho realizado pela Defensoria se alinha com as diretrizes da Política Nacional de Atenção às Mulheres Presas e Egressas do Sistema Prisional, que busca promover a reintegração social e a emancipação dessas mulheres. Isso foi especialmente relevante, pois muitas delas enfrentam barreiras significativas devido ao estigma social associado à sua condição.
Capacitação e Empoderamento Feminino
A capacitação profissional das mulheres em privação de liberdade é um passo essencial na busca por sua reintegração na sociedade. O projeto “Transformar para Libertar” foi estruturado para promover o empoderamento feminino, ensinando habilidades que podem gerar renda e criar oportunidades de trabalho. Ao aprender um ofício, essas mulheres não só são capacitadas, mas possuem uma nova perspectiva de futuro.
Dentre os cursos oferecidos, destacam-se os de Cabeleireiro e Manicure, que não apenas são daptados ao mercado de trabalho atual, mas também permitem que as participantes, após cumprirem suas penas, possam ter uma alternativa viável de sustento. Esses cursos oferecem um espaço de aprendizado que envolve não só aspectos técnicos, mas também o desenvolvimento de competências emocionais e sociais, fundamentais para o sucesso em qualquer atividade profissional.
O empoderamento feminino, nesse contexto, está intimamente ligado à possibilidade de escolha e autonomia sobre a própria vida. Ao proporcionar essa capacitação, a iniciativa vai além de simplesmente oferecer um novo ofício; promove a construção da autoconfiança e da autoeficácia, permitindo que essas mulheres visualizem um futuro diferente, onde possam se tornar protagonistas de suas histórias.
Cursos Ofertados: Cabeleireiro e Manicure
Os cursos de Cabeleireiro e Manicure foram cuidadosamente selecionados para atender à demanda do mercado local e oferecer uma possibilidade de trabalho real e sustentável. Além de serem áreas com grande procura, estas profissões proporcionam flexibilidade, uma vez que podem ser exercidas de forma autônoma ou em estabelecimentos comerciais. Isso é especialmente importante para mulheres que estão retornando à sociedade após um período em privação de liberdade.
As aulas são ministradas por instrutores qualificados, que não apenas ensinam as técnicas necessárias, mas também incentivam um ambiente de acolhimento e suporte. O aprendizado envolve a prática em situações simuladas, além de supervisão no atendimento a clientes, quando possível. Tal abordagem prática permite que as participantes ganhem confiança e desenvolvam habilidades interpessoais essenciais, que muitas vezes são tão importantes quanto a técnica em si.
Ao final do programa, as mulheres são incentivadas a montar seus próprios negócios ou a buscar emprego em salões de beleza. Esse estímulo ao empreendedorismo representa uma estratégia importante de inclusão, pois empodera as participantes a tomarem decisões financeiras de suas vidas.
Impacto na Vida das Mulheres Privadas de Liberdade
O impacto do projeto “Transformar para Libertar” é evidente na vida das mulheres que participaram dos cursos. O simples ato de aprender uma nova profissão traz consigo um renascimento de esperança e a possibilidade de um futuro diferente. Muitas delas relatam um aumento significativo na autoestima e na autoconfiança após o curso, refletindo não apenas em suas habilidades profissionais, mas também em sua disposição para enfrentar os desafios da reintegração social.
Através das interações realizadas durante o curso, as participantes também tiveram a oportunidade de estabelecer novas conexões e amizades, criando uma rede de suporte que é fundamental para alguém que está passando por um momento de transição tão difícil. O fortalecimento desses laços comunitários serve como um elemento crucial para a ressocialização, uma vez que a solidão e o isolamento são barreiras frequentes para a reintegração de pessoas que tiveram experiências similares ao sistema prisional.
Além do impacto emocional, a capacitação traz um efeito direto sobre a renda das participantes. Com novas habilidades, elas conseguem acessar novos postos de trabalho ou até mesmo iniciar seus próprios negócios, mudando assim a narrativa de suas vidas e reafirmando sua posição na sociedade. Esse fenômeno é essencial, pois a geração de renda não apenas melhora a qualidade de vida, mas também contribui para a autonomia e independência financeira dessas mulheres.
Ressocialização e Valorização da Trajetória de Vida
A ressocialização é um objetivo chave das políticas públicas voltadas para pessoas em privação de liberdade. O projeto “Transformar para Libertar” não apenas busca a reintegração dessas mulheres ao mercado de trabalho, mas também se propõe a valorizar sua história de vida. Isso é fundamental, pois muitas delas carregam estigmas e preconceitos que as impedem de serem plenamente aceitas na sociedade.
Um aspecto importante dessa valorização é o reconhecimento das experiências vividas por essas mulheres. Cada uma delas possui uma trajetória única, marcada por desafios, dificuldades e superações. O projeto abre espaço para que essas histórias sejam contadas e respeitadas, evidenciando que a trajetória de uma pessoa não deve ser definida apenas por um erro ou uma fraqueza, mas sim por suas escolhas, aprendizagens e a capacidade de transformação.
Esse processo de valorização é crucial não só para as participantes, mas para toda a sociedade, que se beneficia de uma abordagem mais empática e inclusiva. Ao acolher e dar voz a essas mulheres, o projeto ajuda a construir uma cultura de respeito e dignidade, desafiando preconceitos enraizados e promovendo a compreensão de que a reincidência criminal é reduzida quando as pessoas são acolhidas e apoiadas de forma digna.
Como a Educação Pode Mudar Realidades
A educação é uma ferramenta poderosa de transformação social e individual. No contexto das mulheres em privação de liberdade, essa mudança é ainda mais pronunciada. Os cursos profissionalizantes representam uma porta de entrada para novas oportunidades e para a realização de sonhos que, de outra forma, poderiam parecer inalcançáveis. Quando essas mulheres são educadas e capacitadas, a probabilidade de reincidência criminal diminui significativamente.
Além de adquirir habilidades práticas, as participantes também aprendem a se posicionar no mercado de trabalho com maior confiança. A educação não se restringe apenas à transmissão de conhecimento técnico; ela envolve também o desenvolvimento de uma mentalidade empreendedora, a capacidade de enfrentar desafios e o reconhecimento das próprias capacidades. Essas competências são essenciais para superar as dificuldades que poderão surgir ao longo do caminho.
Além disso, a educação oferece uma nova narrativa para a vida dessas mulheres. Ao invés de serem vagas em uma estatística de criminalidade, elas se tornam agentes de mudança em suas comunidades. Por meio do conhecimento adquirido, elas podem servir de inspiração para outras mulheres que se encontram em situações semelhantes, multiplicando o impacto positivo do projeto e ajudando a construir um ciclo virtuoso de transformação.
Parcerias que Fazem a Diferença
O sucesso do projeto “Transformar para Libertar” é também resultado das parcerias estabelecidas entre diversos órgãos e entidades. A união de esforços entre a Prefeitura de Jequié, a Defensoria Pública e o Conjunto Penal demonstra que iniciativas eficazes em prol da justiça social requerem um trabalho colaborativo e integrado.
Essas parcerias são fundamentais para garantir que os cursos sejam não apenas viáveis, mas também impactantes. A troca de experiências e conhecimentos entre as instituições envolvidas possibilita a criação de um programa que atende de forma adequada às necessidades das participantes. Além disso, a construção de uma rede de apoio, que engloba profissionais de diversas áreas, contribui para o suporte contínuo das mulheres ao longo da sua jornada de capacitação e reintegração.
Esse modelo de colaboração também abre espaço para a participação de empresas locais e instituições privadas, que podem contribuir com materiais, mentorias e oportunidades de emprego, potencializando ainda mais o alcance do projeto. A adesão da comunidade é crucial para que as mulheres sintam que têm um suporte quando saem do sistema prisional e entram de volta à sociedade, aumentando as chances de uma reintegração bem-sucedida.
A Importância da Inclusão Social
A inclusão social é um conceito fundamental para a construção de sociedades justas e equitativas. No caso das mulheres em privação de liberdade, essa inclusão se torna ainda mais urgente, dado que elas frequentemente enfrentam desafios adicionais em relação à reintegração. Projetos como “Transformar para Libertar” não apenas ajudam a abrir portas, mas também contribuem para a construção de uma sociedade mais inclusiva.
Ao incluir essas mulheres no processo de capacitação e empoderamento, o projeto desconstrói preconceitos e contribui para um entendimento mais amplo sobre a diversidade. O impacto é sentida não apenas nas vidas das participantes, mas também em suas famílias e comunidades. As mulheres que passaram por esses cursos tornam-se exemplos de superação e motivação para outras pessoas, contribuindo para uma cultura de inclusão que vai muito além do entorno imediato do projeto.
Além disso, a inclusão social está interconectada ao desenvolvimento social e econômico. Mulheres capacitadas e que conseguem obter renda estão mais propensas a contribuir com suas comunidades, promovendo melhorias gerais e um comportamento proativo. Portanto, investir na inclusão dessas mulheres em situação de vulnerabilidade é um investimento no futuro de toda a sociedade.
O Futuro das Mulheres em Jequié
O projeto “Transformar para Libertar” representa um significativo avanço na luta pela igualdade de oportunidades para as mulheres em situação de privação de liberdade. No entanto, é apenas o começo de uma jornada que requer comprometimento contínuo de todos os envolvidos. Para o futuro dessas mulheres, é crucial que continuemos a fomentar iniciativas que promovam a educação, a capacitação e a inclusão social.
O futuro para essas mulheres pode ser brilhar com a possibilidade de emprego e renda. A continuidade do suporte e das parcerias estabelecidas neste projeto é fundamental para garantir que elas sigam em frente com confiança e dignidade. A sociedade precisa reconhecer o valor dessas mulheres e o potencial que possuem para reconstruir suas vidas, contribuindo ativamente para suas famílias e comunidades.
Criar espaços onde essas mulheres possam continuar a desenvolver suas habilidades e obter novos conhecimentos irá assegurar que o projeto atenda suas necessidades a longo prazo. Além disso, é preciso trabalhar para que políticas públicas que visam a equidade de gêneros e a inclusão social se tornem uma prioridade constante.
Assim, o que se vislumbra para o futuro das mulheres em Jequié é uma trajetória repleta de oportunidades e conquistas, longe do estigma que muitas vezes as acompanhou até aqui. A força e a determinação de cada uma delas, combinadas com o apoio institucional e da sociedade, poderão transformar não apenas suas vidas, mas também que toda a comunidade ao seu redor.

